Desculpem, atrasei-me um pouco nos posts, mas os motivos foram bons, aliás, muito bons! Mas vamos lá por ordem nisto!
Na sexta-feira a turma de estoniano foi ao parlamento da Estónia, em Tallinn (Riigikogu). Fomos recebidos por uma deputada do partido social-democrata estoniano, que nos falou de fronteiras (sabiam que as fronteiras entre a Estónia e a Rússia ainda não estão completamente definidas? Uma parte a sudeste é ainda ambígua e ambos os países a reclamam, como é óbvio), falou-nos também da relação com a Rússia, especialmente, e da política deste país báltico. Curiosamente ainda nesse dia, tinha falado com a Kai (a professora da língua...aquela fixe, de que gosto e que mudei de turma!) sobre a relação da Estónia com a Rússia e com os nativos destes dois países, isto é, russos nascidos na Estónia - os que causam, segundo os estonianos (não quero tomar partidos muito vincados) - mais problemas. Foi uma conversa bastante interessante pois pela primeira vez me apercebi realmente pelo que os estonianos passam.
A questão, é que a Estónia só é independente desde 1991 ("para mais informações consulte:" http://pt.wikipedia.org/wiki/Estonia) e portanto há ainda residentes russos, principalmente as camadas mais idosas, que, mesmo nascendo aqui, reconhecem como seu país de origem a Rússia, onde nasceram de facto, pois isto aqui era Rússia, mas já não é. Da mesma forma que se recusam a mudar de casa, pois nasceram nestas cidades. Aparentemente, nada de especial, a não ser o facto de se recusarem por norma a falar o estoniano, obrigado portanto à existência de escolas em russo para as suas crianças e reclamando o russo como segunda língua oficial. Os mais radicais acham mesmo que isto aqui devia passar a ser de novo Rússia. Esta divergência de opiniões leva a conflitos sociais com alguma gravidade, como a chamada "Noite de Bronze", em que o centro da cidade foi gravemente vandalizado pois a revolta pró e contra a retirada de uma estátua (de bronze), evocativa dos soldados russos mortos em batalha a isso levou, visto que o acesso à estátua foi interdito, devido à sua constante vandalização. Em assuntos mais prosaicos, temos por exemplo, condutores russos de autocarro que, mesmo trabalhando para a empresa de transportes de Tallinn, se recusam a falar estoniano, ou a mulher do supermercado que lhe segue o exemplo. Tudo isto leva a um certo desconforto entre as pessoas. Sorte a minha que ainda não distingo uma língua da outra! O que é certo é que noto que os estonianos são um povo algo patriótico e que mostram sempre um sorriso sempre que, pelo menos os cumprimento e agradeço na sua língua, pelo que esse aspecto deve ser algo sensível para eles.
Bem, para não me alongar muito, curioso o facto de ter gostado mais de falar com a deputada do que com o guia que nos mostrou o parlamento, suas salas e afins, pois falava para o seu enorme cinto GUESS e para as paredes, não se preocupando se estávamos a ouvir ou não, bem, só estando lá é que perceberiam. O edifício, para mim, foi uma novidade pois mostrou-se muito simples anível arquitectónico, mais parecendo um hospício de luxo do século passado do que o parlamento. Num dos corredores, chamou-nos no entanto a atenção para um aspecto engraçado que foi um cruzamento de corredores em cujos cantos, se nos virássemos para a parede e sussurrássemos mesmo muito baixinho, no canto oposto ouvir-nos-iam com a maior nitidez (fogo, hoje estou a falar caro!). Pode não parecer nada de especial mas depois, para mim, foi o aspecto mais curioso do edifício.
Henna e Nina. Que chatice, happy hour: meio litro de cerveja pelo preço de 33cl!
Depois do Riigikogu, seguimos para um belo pub, onde jantámos, seguindo de novo para outro, algo afastado do centro da cidade, onde estávamos, com música ao vivo, e o resto já sabem...õlu, conversas, õlu e enfim...
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