Conversámos algum tempo e entretanto (Primeiro choque), quando me voltei de novo para a janela, era já noite, em apenas alguns minutos! Quando estávamos prestes a aterrar, foi-nos dito no avião que estariam -10ºC em Helsínquia, o que o casal com quem falava achava uma agradável temperatura! Aliás, disseram-me que é melhor -10ºC do que -1ºC (!!! – Segundo choque), pois se estiver a nevar, àquela temperatura, a neve não molha… Aterrámos em Helsínquia sem problemas. Como tive de esperar cerca de 45 minutos pela bagagem, decidi ficar em Helsínquia naquela noite pois já não conseguiria apanhar o ferry que pretendia e o seguinte chegaria a Tallinn muito tarde.
Assim, após sair do aeroporto, experimentei pela primeira vez 10ºC negativos! Que sensação! Não consigo explicar como é a sensação de serem mais ou menos 17h (15h em Portugal), imaginar-vos ainda com o almoço no estômago, mas ser noite, àquela temperatura, no país do Pai Natal! O que me deu mesmo uma sensação natalícia foi, para além da neve, os ursos de cimento na base da maioria dos sinais de trânsito! Só não os fotografei pois estava realmente carregado. Segui então para o autocarro (4€- Terceiro choque) que me levou para a estação dos comboios (Rautatientori), bem no centro de Helsínquia. Durante a viagem pude observar as pessoas e as ruas, que se mostraram um pouco tristes, linhas muito rectas, tudo muito funcional, exactamente como o Francisco disse…funcional, mas não totalmente: chegado ao centro percebi que não era bem assim, isto é, fora do circuito turístico, nada está em inglês e os centros de informação para turistas fecham muito, muito cedo. A sorte é que toda a gente fala inglês, curiosamente, e ao contrário do que estamos habituados, os mais jovens mostram-se mais atrapalhados com a língua do que os mais “crescidos”.
Como não tinha reserva em lado nenhum, decidi ir para o hostel que me tinham recomendado. Apanhei o metro (2€ - não vou ser repetitivo! Bem, sim…choque número quatro). Curioso o facto de não haver nada a controlar a entrada para o metro, mas toda a gente compra bilhete (eu também)!
A cidade é pequena, pelo que a distância da estação até ao hostel pretendido não é muito grande, o problema foi que eu carregava três sacos bem grandes, pesando mais de trinta quilos no total; o que transformou aquela pequena distância num inferno gelado. O cansaço, o piso escorregadio, o facto de as ruas estarem em obras e do hostel estar fechado durante o inverno não me trouxe muita alegria. Aliás, por esta hora eu só pensava que não podia ficar na rua! Não consigo descrever exactamente o que senti! Só me imaginava sozinho, algures numa cidade gelada! Só imaginava Helsínquia no mapa e no quão longe isso era de casa. Para dificultar a situação, eu já não me encontrava bem no centro da cidade, pelo que não passava nenhum táxi! Andei de volta para o centro, pelo que devo dizer que foi duplamente infernal! O que realmente me tranquilizava era o facto de me sentir muito seguro! Isso foi, para mim, um dos aspectos mais positivos de Helsínquia. Nunca, mas nunca me senti inseguro ali. Pelo caminho de volta, vi, ao longe as luzes do hotel Radisson, devia estar a 500m de mim (não se esqueçam do peso que eu carregava!). Chegado a porta, percebi que também este estava fechado! Quase em desespero, entrei num táxi que se encontrava mesmo à porta e pedi para me levar a um hotel. Acabei por ficar num Radisson mesmo em frente à estação do metro de onde tinha saído! Conseguem imaginar a frustração?! Como não tive outra hipótese, limitei-me a entrar e a pedir um quarto. Fiquei num duplo, paguei um balúrdio, mas não tive escolha. De qualquer maneira, soube-me muito bem.
Limitei-me a atirar as coisas para um canto, voltei a sair pois tinha visto um Lidl à saída e fui lá buscar o jantar, voltei, tomei um banho enorme e deitei-me na cama, prestes a ver um filme, mas não pude, pois, como se ainda não chegasse, teria de pagar ainda bastante se quisesse ver o que quer se seja na televisão. Acabei por pegar no computado ligar para casa, usando uma rede sem segurança e dormir de seguida. Só imaginava o mapa…

Sem comentários:
Enviar um comentário