sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Patinar no gelo, rambóia e mais...15/01/2009

Saudações! Ontem, quinta-feira foi um daqueles dias com muito para recordar. A primeira parte do dia foi quase igual aos outros dias, pois, nesse sentido, as aulas são um pouco rotineiras. É um curso intensivo, portanto, começamos às 9h (7h em Portugal) e acabamos por volta das 15h, com 45 minutos de almoço. Ainda assim, não me aborreço com isso, pois o pessoal é muito porreiro, a experiência de aprender esta língua é muito enriquecedora e depois das aulas há quase sempre algo para fazer em conjunto, como por exemplo ir ao ginásio ou a uma pequena vista na cidade. Lembram-se que descrevi o ginásio como vindo de um filme do Stallone, pois vejam: reparem que neva lá fora! Ainda ontem estava na máquina de remos e a ver a neve lá fora! Muito giro mesmo! Não tem um aspecto "brutal"?! Ah, esqueci-me de apresentar o Arthur e a Doerte!
Após o ginásio: SHOW TIME!! Patinagem no gelo! Foi até agora a "coisa" mais gira que fiz aqui. O pessoal estava todo muito animado, a actividade em si é mesmo divertida e nem as (algumas) quedas me demoveram! Ao principio parecia um palhaço, mas depois acho que me fui safando! lol! Hoje, enquanto escrevo isto, sinto aqui no glúteo (para não dizer rabo, parece mal!) uma dorzinha por uma das quedas. Mas é algo a repetir, sem dúvida! Absolutamente!
Está tudo dito, não acham?!
Depois de mais de uma hora de patinagem, já estava cansado, mesmo a precisar de ir jantar. Como o sentimento era geral, fomos jantar num bar/restaurante muito agradável, daqueles que apetece estar e sentimo-nos em casa. A comida era óptima, o clima também. Eu fiquei-me pelo pão de alho e pelas cervejas, mas houve quem pedisse umas pizzas que me fizeram babar e arrepender-me por ter pedido aquilo. Resolvi então afogar as mágoas nas cervejas que aqui são sempre servidas em copos de meio litro e não há aquela preocupação de as servir com espuma nem "vivas"...
Depois do jantar, deixei este grupo e fui ter com outros colegas, também do curso, mas que não tinham estado connosco no jantar.
Bem, dessa parte já não tenho fotos, mas ficou a memória.
Bom fim-de-semana pessoal, não me importava que passassem aqui uns dias comigo! Pensem nisso, há casa, comida e rambóia!
Abraços e beijos para todos!

KUMU 14/01/2009

A Sisekaitseakadeemia, onde tenho as aulas de estoniano.
Uma das professoras de estoniano - esta é especialmente divertida. Reparem no quadro!
A turma, durante a aula.
Tere!
Na quarta-feira passada, depois da aula de estoniano, fui ao Eesti Kunstimuuseum (KuMu). Foi um passeio interessante pois andei numa das zonas mais bonitas de Tallinn, o Kadriorg district, que é um grande parque, que alberga o palácio presidencial,
O palácio presidencial.
o Museu de Arte Estoniana (Kumu) e uma grande variedade de casas de diferentes períodos. Este parque está muito próximo de uma das praias de Tallinn, que também tive a oportunidade de conhecer pela primeira vez. O mar Báltico é um dos, senão o menos salgado do mundo. A Anu disse que quando esteve em Espanha achou muito curioso que, depois do banho no mar, as gotas que secavam deixassem minúculas partículas de sal na pele. Ora, isso aqui não acontece e o facto de ser tão pouco salgado faz com que os patos e cisnes da região façam do mar, um grande lago. Não imaginam a quantidade destes animais que estava à beira da àgua, tal-e-qual como num lago.
Achei o espaço do museu muito bonito e interessante, aliás, foi o KuMu que ganhou o prémio de Melhor Museu de 2008.
KuMu
A colecção também é bastante interessante, atravessa os mais diversos períodos da arte estoniana, culminando com o que de mais moderno se faz por estas paragens. Gostei especialmente da parte contemporânea porque encontrei peças mesmo muito interessante. No último núcleo não se encontram só artistas estónio, mas também da Letónia e da Rússia. Achei muito interessante a instalação de russa Elena Elagina, toda ela a partir de pão, que deixava na sala um cheiro mesmo muito agradável. Por acaso, uma das coisas que mais gosto aqui na Estónia, a nível gastronómico, é o pão. Há duas grandes variedades: leib (pão escuro) e saia (pão branco). Cada uma destas variedades tem uma infinidade de opções, desde sementes, passas, diferentes farinhas, tamanhos, densidades, etc. Bem, mas para a acabar o museu: também gostei muito da instalação de um letão, que, confesso, não registei o nome, que utilizava diferentes materiais e faz umas peças muito sensíveis, frágeis até, só vendo...
A instalação de Elena Elagina
Parte da instalação do letão. Gostei muito.
Só para que fique também aqui um registo da vida quotidiana: Depois do museu, foi a minha vez de cozinhar o jantar, mas a Anu lavou os pratos: fica o registo (para ti Anu! lol)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Battery Prison 13/01/2009

Tere a todos!
Depois da aula de segunda-feira (esimaspäev - estivemos a dar os dias da semana), fomos visitar uma antiga prisão em Tallinn, ninguém me soube explicar porquê, chamada Battery... Na verdade a dita prisão está no chamado Battery Park, pelo que quando me deparei com uma prisão em desuso, fria e ao abandono, fiquei sem saber o que estava ali a fazer, mas acabou por se tornar algo muito interessante para ver.
.
Esta prisão foi inicialmente um porto, não me lembro de datas, confesso, mas lembro-me de o guia estar a dizer que era defendida com balas de canhão, pelo que deve ser velha como tudo! Mostrou-nos celas, "casas de banho", salas onde os prisioneiros eram baleados, um sítio de passagem, onde, como teste à resitência de cada um, os colocavam numa caixa, com cerca de um metro e sessenta de altura, sem assentos e tão pequenas que não conseguiam estar sem ser com os joelhos semi-flectido, numa posição realmente difícil de suportar.
Numa outra divisão, com apenas algumas celas, eram deixados de quarentena, sendo apenas alimentados a àgua quente ou (notem que disse "ou") pão, dia sim, dia não. Apesar de vos estar a contar as partes mais desagradáveis (não se espera uma visita especialmente divertida a uma prisão, como devem imaginar), a visita foi bastante interessante e o sítio, apesar de tudo, inclusivé o facto de já ser de noite, tem um clima entre o assustador e o tentador, no sentido em que queremos espreitar todas as salas e saber o que se passou ali, apesar de sabermos que foi horrível. Enfim, mas não quero parecer mórbido.
Depois da visita eu e um pequeno grupo fomos tomar chocolate quente (MARAVILHOSO) a um kohvik (café, no sentido de cafetaria, pois café de beber é kohv), que ganhou o prémio de melhor cafetaria de 2008 em Tallinn. O que é certo é que a localização (mesmo no centro da cidade velha, com vista para a Raekoda Platz, o delicioso chocolate, os bolos com um aspecto como eu nunca vi, o ambiente, refiro-me à decoração, com pinturas nas paredes tipo paleolíticas, pianos antigos, mesas e sofás com aquele aspecto velho mas que apetece sentar e ficar ali horas à conversa ou a ouvir música, a atenção à forma como serviam as coisas, tudo isso deve ter pesado bastante na selecção. Parece que fui pago para escrever tão elogioso comentário, mas a verdade é que foi melhor que conheci até agora em Tallinn.

Rakvere 10/01/2009

No primeiro Sábado na Estónia, eu e o pessoal do curso de estoniano fomos a uma pequena cidade, a cerca de 100 km de Tallinn, chamada Rakvere.
Vista sobre a cidade
A cidade em si não tem muito o que ver, mas o melhor estava para vir: as ruínas de um castelo que data do ano 770.
Apesar de lhe faltarem já muitas "divisões", secções, partes (o que lhes queiram chamar), o que dele sobra está muito bem preservado e mostrou-se uma experiência muito divertida, também pelo facto de sermos guiados por um rapaz estoniano,muito divertido, que nos deixou muito à vontade e que se manteve muito fiél à sua personagem medieval. Na visita estava também incluído um almoço medieval.
O italiano Vittorio...esteve ali três dias...
O esquema da casa de banho. Havia mesmo alguém lá em baixo a proteger a entrada e a deseimpedir o caminho para os ´"resíduos" passarem. Trabalho de m....
E o lusitano Simão a treinar, tal como faziam naqueles idos tempos.
O nosso guia descobriu a pólvora no dia em que lá estivemos.
Estivemos na sala da tortura. Este é o cadáver de um turista do ano passado...
O guia é que disse!
E o nosso requintado almoço: trigo com coisas misturadas, chá, uns pãezinhos que parecem bolos (no cesto) com manteiga e bolo de maçã. Nice!
The turkish Inanc
Vista sobre o castelo, não comento...
Depois do almoço seguimos para um sítio, algo longe de Rakvere, onde visitámos uma casa tipo senhorial ou algo do género, bastante bonita e conhecida aqui na Estónia, chamada Palsme (não é "p'almeçar").
Também tive um acesso de prazer patriótico quando vi, nas caves da dita casa algumas garrafas de vinho português, de algumas regiões. Também já vi azeite Oliveira da Serra no supermercado, mas o vinho marcou-me mais...
Na noite de sábado fomos todos sair aqui em Tallinn, prometo que para a próxima terei fotos!

Aula de Estoniano

Olá pessoal! Obrigado pelo bom feedback que recebi dos primeiros posts! Para abreviar um pouco o caminho e não tornar este blog aborrecido por ter tanto para ler, e também porque já se passaram alguns dias e quero compensar o tempo perdido, vou apenas contar os pormenores mais interessantes do que se passou na primeira semana que foram, para mim, a lingua estoniana em si. Claro que muito mais se passou, desde começar a frequentar um ginásio da Sisekaiseakadeemia com ar de ter saído de um filme do Rambo, com o Stallone, a experimentar alguma doçaria da Estónia ou bebidas deste belíssimo país também, enfim...! Mas hoje quero ensinar-vos o prazer de olhar para uma enorme quantidade de frases, perceber que elas vão fazer parte da vossa vida durante quatro meses e não perceber nada! Algo desesperante, devo confessar. " - Meninos, vamos começar:" Frase em estoniano/Fonética - tanto quanto possível! / Tradução Tere! /Téré! /Olá! Tere hommikust/ Téré hómicúst/ Bom Dia (de manhã) Tere päevast/ Téré pêvast/ Bom dia (durante o dia) Tere õhtust/ Téré Úrtust/ Boa Tarde ou Boa Noite Head ööd/ Réadôd/ Boa Noite Tänan* ou aitäh/ tanan ou áitá/ Obrigado Head aega/ réadagâ/ Adeus Palun/ palun/ por favor Vabadust/ vabadust/ Com licença Minu nimi on João/ minónimión João/ Eu chamo-me João Ma olen portugaallane/ Má ôlén portugalane/ Eu sou português Ma elan Tallinnas/ Má êlan Tálinas/ Eu vivo em Tallinn Palun mulle üks pilet/ palun múlle úks pilét/ Um bilhete por favor Mis kell on?/ Mis quel ón?/ Que horas são? Millal on sinu sünnipäev?/ millal ón sinú sûnipáév/ (literalmente) Qual o teu dia de aniversário? Minu sünnipäev on neli Aprillis/ minú sûnipáév on néli ápríllis/ (literalmente) O meu aniversário é a quatro de Abril Palju õnne sünnipäev/ palio ôné sûnipáév/ Parabéns Palju õnne/ palio ôné/ Muita sorte Números: 1 üks 11 üksteist 2 kaks 12 kaksteist 3 kolm 13 kolmteist 4 neli 5 viis 6 kuus (!) 7 seitse 8 kaheksa 9 üheksa 10 kümme 20 kaks kümmend 21 kaks kümmend üks 30 kolm kümmend 100 sada 178 sada seitse kümmend kaheksa 256 kaks sada viis kümmend kuus 1000 tuhat 7348 seitse tuhat kolm sada neli kümmend kaheksa (tem a sua lógica, há que admitir!) A sério, tentem ler e vão ver como me sinto, por exemplo, quando me dizem o preço de algo! Isto para não dizer que eles dizem isto tão depressa que faz com que as frases pareçam pequenas, pois é como se ligassem todas as palavras numa só, gigante. Bem, para já, ficamos por aqui! "Não se esqueçam de saber isto de cor para amanhã, ok?" Como diria o Bruno: Abreijos

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Dia 3 Tallinn 07/01/2009

Acordei um pouco tarde. A Anu játinha saído. Preparei-me e fui conhecer a faculdade. É mesmo muito perto de minha casa (7 minutos a pé). Não conheci a faculdade verdadeiramente pois fui ao departamento Erasmus, falei com a responsável, que me pareceu um pouco “mawuca” (sabem onde quero chegar!) e não muito segura das informações que me ia dando, mas nada estava errado, no final. As aulas só começam para o fim de Janeiro, mas o curso intensivo de estoniano está a decorrer há dois ou três dias. Fiquei também a saber que o departamento de escultura é fora do edifício principal da faculdade, mas também já percebi que nada aqui é realmente longe de nada, pelo que não fiquei preocupado. Tomei o autocarro e fui para onde ela me disse que decorria o curso. É uma escola superior de polícias (Sisekaitseakadeemia), um pouco deslocada do centro, a 15 minutos de autocarro, algures no meio da neve e das árvores. Senti que estava perdido, mas como ela me tinha escrito no caderno o nome do sítio, uma senhora que não falava inglês, a quem pedi informações pegou-me pelo braço e deixou-me muito perto da Sisekaitseakadeemia. As palavras são todas enormes aqui e muito difíceis de decorar. O edifício pertence a um complexo que parece ter sido algo militar noutros tempos e que tem alguns dos edifícios ao abandono. Parece-me que isso tem algo haver com a guerra, mas não tenho a certeza. Cheguei à sala e conheci dois alemães que estavam na pausa da aula e que me explicaram algumas coisas acerca do curso. Entretanto chegaram os restantes, entre eles, um português, chamado Simão, de Aveiro que já se encontra no mestrado em Multimédia, um turco, alguns finlandeses, uma rapariga do Botswana (confesso que não sei como se chama a um residente do Botswana e ainda não tenho net para confirmar na Wikipédia!), dois holandeses e mais alemães, quase todos estudando na área das ciências socias. Nem vou comentar a sensação que tive quando eles começaram a falar em estónio com a professora! Chinês! Mas deu-me a sensação de que não vai haver problema em acompanhar pois eles já estão nesse ponto, apenas com duas ou três aulas. Seguimos para o centro da cidade, onde nos encontrámos com uns guias estónios que nos mostraram os sítios mais importantes da cidade velha.
Parte do grupo, no centro da cidade.
Só entrámos na igreja ortodoxa e, por coincidência, visto que é dia de Natal para eles, pudemos ver entrar na igreja, com pompa e circunstância, o patriarca russo, de visita à Estónia para celebrar o Natal. No centro da igreja havia uma grande árvore de Natal e ícones. Andámos por ali mais um pouco e depois fomos para um pub, chamado Kompressor, onde comemos umas panquecas estónias (eu escolhi uma de queijo e alho), acompanhada por cerveja (õlu). Houve quem acompanhasse com vinho tinto quente. Provei e gostei, mas não me convenceu. Percebi também que a vida nocturna aqui não vai muito além das duas ou três (três, para eles já é grande maluquice!). De facto, às 22h já estávamos de regresso pois o frio é quase insuportável na rua.
Vista da cidade, do miradouro de Tompeea
Devo dizer que gostei mesmo muito do centro, amanhã volto lá pois é lindíssimo. Merece a fama que tem, sem dúvida. Há montes de casas especiais aqui, tipo a mais pequena casa habitada da Estónia, o edifício que há 600 anos era o mais alto da Europa (do mundo?) e que, mesmo nos tempos de hoje, é o mais alto da cidade pois é mesmo proibido construir algo mais alto. É também no centro que há a mais antiga farmácia (apteek) da Europa e uma casa com uma janela pintada na parede (falsa, portanto, só visível do exterior), onde, dizem as lendas, mora ou morava Satanás.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Dia 2 Helsínquia/ Tallinn 06/01/2009

Decidi acordar por volta das 10h, afim de tomar um magnífico, gigante e completo pequeno-almoço, que se transformou num almoço também pois comi o máximo que consegui para não ter de almoçar depois. No hotel disseram-me o horário do ferry para Tallinn e, como estava bastante carregado, decidi visitar a cidade da próxima vez que ali estivesse, que tenho a certeza, não será muito tarde, nem apenas por uma só vez. Optei então por ficar no hotel e desfrutar o conforto por que paguei! Saí do hotel e apanhei o autocarro para o porto (Länsiterminaali). Comprei o bilhete (36€ - com desconto para estudantes! Quinto choque!) e esperei no bar. Tomei um café (3€!!) e vi os Simpsons (Simpsonit), legendados em finlandês. Não pude deixar de fotografar!
Simpsonit
Segui para o barco às 14h e percebi que é um grande barco. Bar, casino, pequeno palco com piano de cauda, a puxar para o luxuoso. Bastante confortável.
Interior do barco
Fui para a zona do bar, onde fiquei sentado numa pequena poltrona, como se estivesse noutro sítio qualquer. Achei que a viagem num barco com aquelas seria bastante estável. Enganei-me. O tempo estava terrível. Com o balanço, por vezes a minha poltrona levantava um dos pés e acabei por ficar um pouco enjoado, nada de grave, mas não conseguia olhar pela enorme janela à minha frente.
Se se esforçarem, conseguem ver as luzes, no horizonte: Estónia!
Durante um período foi terrível pois havia ondas contra o vidro e o tilintar das garrafas no bar, mas passou-se! Cheguei a Tallinn de noite (16.30h, hora local – os dias são realmente curtos aqui, mas eles dizem que já estão a alongar-se). A Anu foi-me buscar ao porto e seguimos de táxi até casa por causa das minhas malas, caso contrário teríamos ido a pé, pois a cidade é muito pequena e pode-se perfeitamente andar a pé para todo o lado. O apartamento está muito bem situado, não tem mau aspecto, mas mostrou-se um pouco mais pequeno do que estava à espera, mas já estou habituado e é o bastante para duas pessoas. É muito confortável, aqui anda-se quase de t-shirt em casa. O meu quarto é, de facto uma sala com uma cama ao canto mas isso não é um problema. É espaçoso e confortável. A Anu mostrou-se bastante simpática, mas começo a perceber o espírito estoniano: eles não são verdadeiramente antipáticos, como cheguei a ouvir dizer. Por exemplo, se pedirem uma informação, eles simplesmente respondem e seguem o seu caminho. Não nos dão mais do que pedirmos, daí a tal reserva… A Anu tem 28 anos, já está no mestrado em Relações Internacionais e trabalha num programa europeu na câmara municipal de Tallinn, pelo que viaja imenso em trabalho. Ainda este mês estará fora por uns dias em França (Prantsusmaa, em estoniano). Fomos ao supermercado, o que se mostrou um pequeno choque pois ainda não tinha contactado com a coroa (kroon) e foi um pouco difícil perceber o preço das coisas. Mas já percebi que as notas é que vale algo. Um euro são 15 krooni, portanto uma moeda de 1 kroon são 0, 06666 cêntimos, mas há moedas de valor inferior a um kroon. Voltando ao supermercado: as grande marcas estão obviamente representadas, mas de forma bastante diferente, só há cereais em caixas mais pequenas dos que as “nossas” de tamanho “normal”, por exemplo. A peixaria vende alguma variedade de peixe, mas não às postas. Assim, compra-se por exemplo meio salmão cortado no sentido da espinha maior, sem espinhas nem pele. Do talho só reparei numas carnes cortadas aos pedaços cobertas de especiarias. A fruta não é muito variada e um pouco cara. Jantámos salmão no forno, com (julgo) coentros, nada mais, cozinhado em folha de alumínio, acompanhado com pão (bastante escuro e muito bom, chamado leib) às fatias com um queijo daqui, tipo sanduíche mas sem a fatia de pão por cima – um pormenor bastante significativo, não pensem que sou demasiado descritivo! Ficámos um pouco à conversa e fui desfazer as malas. O meu quarto tem uma grande janela e pude ver nevar pela primeira vez aqui (em Helsínquia também não nevava). Fui-me deitar pois estava cansado, mas mal consegui dormir.
O meu quarto em Tallinn, à chegada