segunda-feira, 13 de abril de 2009

Turquia 04/04 a 12/04

Merhaba!
Sim, desta vez a saudação é em turco pois foi por essas terras que andei a semana passada, daí a ausência de novidades, mas agora há e muitas! Nem sei muito bem como vou conseguir relatar tantas sensações, cheiros, diferenças que por lá observei! O que é certo é que foi talvez a viagem de que gostei mais até hoje, principalmente pela diferença cultural que observei, mas vou começar pelo princípio, a ver se ponho ordem nisto!
Reservei então para mim mesmo, como presente de aniversário (sim, fiz 21 anos!) uma viagem à Turquia. Escolhi este país por ser diferente, não só de Portugal, mas da Estónia (que diferença, nem acreditam!).
Bem, chegado a Istambul de madrugada, só queria ir para o hotel e dormir. Às seis da manhã da primeira noite: surpresa (e susto também, confesso) o chamamento para a reza matinal. Ouve-se por toda a cidade, cinco vezes por dia e chama todos os muçulmanos a rezarem, não obrigatoriamente na mesquita, mas enfim, acaba por acordar todos os outros! É impossível não ouvir, não têm noção da sensação que tive. Quando acordei, nem sabia muito bem o que era aquilo e fiquei tipo três segundos a pensar e depois lá associei, mas nesses três segundos até em guerra medieval pensei! Só visto! Depois de dormir mais um pouco, lá tomei pela primeira vez o típico pequeno-almoço turco composto, como mostra a imagem (que não é minha, tirei da net agora mesmo), por pão, pepino, tomate, ovo cozido, azeitonas, queijo feta e chá, como em todo o lado, mas já lá vamos!
Fiquei no Sultanahmet, a zona de Istambul onde estão os principais monumentos, pelo que, depois do pequeno-almoço, segui em direcção à Mesquita Azul e à Santa Sofia, duas mesquitas (a Santa Sofia era inicialmente uma igreja, actualmente com a aparência de mesquita mas com reminiscências do período cristão, nomeadamente, nos mosaicos com a imagem de Jesus Cristo, etc.)
Comecei pela Mesquita Azul, por mero acaso, mas valeu bem a pena. Depois de descalçados os sapatos, lá entrei, caminhando pelas agradáveis carpetes turcas que cobrem todo o chão.
É um imponente edifício com tonalidades cinzento-azulado no exterior, daí o nome,
e revestido de mosaicos e frescos no seu interior.
Tive sorte pois quando cheguei estavam em oração, pelo que pude ouvir (mais uma vez) as orações deles e vê-los a rezar. Foi uma experiência muito interessante, pois comecei por um dos aspectos que mais diferem entre as nossas culturas - a religião- e que são tão importantes e marcantes em todos os outros aspectos culturais. Fiz este pequeno vídeo pois tudo o que por lá vi não cabe numa fotografia.
Em seguida dirigi-me para a Basílica de Santa Sofia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Bas%C3%ADlica_de_Santa_Sofia), edificada anteriormente à Basílica Azul, apenas a alguns metros desta, parecendo que há quase uma rivalidade de beleza entre as duas.
Depois da bilheteira entrei para a Basílica. Foi muito interessante pois sente-se no mesmo edifício, de alguma forma, as duas religiões que ali habitaram, pois há o famosíssimo mosaico de Jesus Cristo, mas ve-se por todos os lados frescos, e a arquitectura por si só, nitidamente islâmica. Foi muito interessante, mas ainda assim, gostei mais da Mesquita Azul. A Santa Sofia pareceu-me que poderia estar melhor conservada e é bastante diferente, só por si. Mas vale sempre a pena!
Ainda na Santa Sofia, tive de experimentar isto que é "Não-sei-o-quê dos desejos", já não sei se buraco ou algo assim, mas buraco dos desejos parece-me um pouco estranho! Então, a lógica é colocar lá o polegar e dar uma volta completa, enquanto se pede um desejo. Aquilo devia ser um poço de bactérias, pois acredito que durante o dia, milhares de pessoas façam aquilo, mas nada como um pouco de vitamina M para nos fazer mais fortes!
De uma janela da Santa Sofia tem-se esta fantástica vista sobre a Mesquita Azul. Pelo mundo deve haver também milhares de fotografias como esta, pois, apesar de ter sido eu a tirar, estive ainda uns minutos na fila para me empoleirar na janela e tirá-la, à semelhança dos muitos outros turistas antes e depois de mim, mas enfim, há coisas destas às quais não se consegue escapar...
Outra coisa a que não se pode também escapar é a um cafezinho turco. Tem de se esperar que o café acame e depois bebe-se. Outra coisa engraçada, que ainda não tinha visto em mais lado nenhum foram os copos de àgua descartáveis. Achei um desperdício, mas enfim, há muita coisa errada!
Depois do café, segui para a Basílica Cisterna, uma enorme construção subterrânea, recheada de arcos e àgua, que tinha tanto uma função prática, de armazenamento de àgua, no passado, como de lazer
Ainda neste dia recheado de passeios, tive tempo de experimentar pela primeira vez o Grande Bazar! E lá grande é, de facto! Pois bem, é uma gigantesco mercado coberto com centenas de lojas, ruas e milhões de artigos à venda, desde produtos alimentares, agrícolas, souvenirs de TODO o tipo, artesanato, roupas, livros, sapatos, restaurantes e até uma loja de gramofones por lá encontrei! Foi um espaço muito interessante onde também voltei mais tarde, afim de comprar alguns artigos que já tinha visto por lá e por em prática a minha habilidade para regatear preços e, acreditem ou não, conseguem-se descontos de mais de 50% sobre o preço inicial. O truque é mostrarmo-nos interessados, dizer uma preço que nos pareça razoável (eles vão dizer que compram o artigo a esse preço no armazém) e então dizer-se que sendo assim não se quer e **pliimm** artigo dentro do saco de plástico e mão estendida para o preço que disseste! Foi bué divertido! Às tantas estava um pouco cansado, pois não se pode olhar para nada, vem logo o dono mostrar-te, mesmo que só tenhas olhado por um segundo e também porque está tudo muito cheio de coisas. É tudo aos montes (não necessáriamente no sentido de desorganizado), mas é tudo às dezenas de cada artigo! Bem, foi uma experiência engraçada.
E assim fiquei mais um dia em Istanbul, num hotel muito bom, pequeno, mas com um espírito muito familiar e novo, acabado de abrir, pelo que encontrei preços acessíveis e boa qualidade. Se forem a Istanbul, recomendo o Big Orange Hotel. Tenho de lhes fazer um pouco de publicidade pois foram SUPER simpáticos comigo. Fica no Sultahnamet, a uma distância razoável dos grandes monumentos (daí o chamamento às 6 da manhã!). Tem as dimensões normais dos hoteis que por esta zona vão encontrar (pequenos, sem elevador, escadas íngremes e um decoração muito estranha) mas isso faz parte, só que com a vantagem de não cheirar a bafio, ser limpinho, pequeno-almoço e confortável. Para além do pessoal ser super atencioso. Pronto, já fiz a minha parte, pois quase me senti em dívida para com eles por me terem servido tão bem.
Passados então dois dias em Istanbul, segui em direcção à Capadocia (para a zona onde no mapa está escrito "Valley of the Fairy Chimneys"), mais especificamente Göreme, uma pequena vila cujo principal atractivo são as casas escavadas nas estranhas formações rochosas (naturais!). Meti-me então num autocarro que ia de Istanbul a Nevşehir durante a noite, o que foi uma experiência até agradável, apesar das 11 horas de viagem, pois senti-me extremamente seguro, pois o autocarro ia cheio de turistas e todos os autocarros de longo percurso lá têm um assistente de birdo, que serve chá, àguas, um pequeno bolinho e até nos dá um líquido para ficarmos perfumados, tipo para lavar as mãos e deixar um cheiro agradável. De manhã, muito cedo, cheguei a Nevşehir, onde troquei para um pequeno autocarro que nos deixou em Göreme 20 minutos depois. Enquanto esperei um pouco pelo autocarro para Göreme arranjei um sítio para ficar, apesar de á chegada não me ter agradado e portanto mudei e foi ali um tempo de hesitação em que, mais uma vez me imaginava no mapa, no meio da Turquia!
Bem, mas a verdade é que arranjei um hotel...escavado na rocha! Uma "Cave Pansion"! Foi bué interessante, mais pela experiência pois à noite e de manhã era um pouco frio, até porque aquilo era um pouco ao género backpacking e portanto, era muito simples e ligavam e desligavam o aquecimento central durante o dia, mas muito cedo e, depois do banho matinal custou um pouco, mas é caso para dizer que se fica frio como uma pedra, e isso também é bom para a saúde, portanto, duas noites não matam ninguém! Em Göreme, andar pelas ruas é um pouco estranho pois, apesar de haver casas "normais", há uma zona em que só se vêem casas escavadas, o que é uma sensação engraçada, caminhar por ali!
O que esta vila tem mais para oferecer é também a maravilhosa paisagem e experiências ao ar livre, pelo que andei muito por ali, no meio da Natureza, simplesmente a fazer percursos assinalados, mas por onde se passa pelo meio de mato, vales com aquelas rochas estranhas, pequenos ribeiros e onde estava um tempo muito agradável para o efeito. Felizmente só choveu de noite. Estive então mais dois dias em Göreme, onde comi alguma comida tradicional, bebi chá turco, sentei-me em rochas estranhas a sentir o Sol na cara e´observei o modo de vida asiático pela primera vez.
Para além de ter observado também outros monumetos, como esta igreja escavada na rocha, com fresco originais do período cristão, Património Mundial da UNESCO
Para o regresso optei por vir de dia, tanto porque os autocarro partem mais vezes de dia, como para ver a paisagem por onde já tinha passado, e para chegar de dia a Ankara, minha próxima paragem.
Em Ankara só fiquei uma noite, mas tive tempo de observar a capital, com o seu ritmo de vida altamente frenético e ruidoso, cheia de carros e pessoas por todo o lado, com um ar bastante poluído que, ao fim de umas horas de passeio pelas ruas, só me fez voltar para casa e lavar a cara, tal era a sensação! Mas ainda assim, valeu a pena ver os mercados, as ruas e o Museu das Civilizações da Anatólia, um maravilhoso museu, com peças muito interessantes do período neolítico e por aí em diante. Fiquei maravilhado!
Esta é a aparência da cidade, vista do monte onde está o museu. A nuvem cinzenta não é nevoeiro!
Havia vários grupos de alunos turcos a visitar o museu e achei interessante tirar-lhes esta foto pois já tinha percebido que todos os alunos turcos, de todos os anos, são obrigados a usar fardas, pelo que também vi na rua muito pessoal que deve andar no secundário e talvez até na faculdade, com a sua gravata e calças vincadas.
Voltando ao museu, como podem ver, estão peças tão importantes como estas pequenas mas muito importantes esculturas, entre muitas outras maravilhas. Achei que não vale a pena ir de propósito a Ankara, pois não tem muita oisa para ver, mas se fizerem um viagem em que passem por lá, aconselho a gastarem umas horas no museu, pois vale bem a pena! É maravilhos e é como ver o livro de história. De facto, fiquei com a sensação de que os povos da actual Turquia foram de grande avanço tecnológico e até artístico, sendo posteriormente ultrapassados, mas ainda assim, muito importantes.
~
Passado então um dia e uma noite em Ankara, dirigi-me à estação de autocarros (A.S.T.I.), de uma dimensão admirável para estação de autocarros, para aí 6 vezes maior que o aeroporto de Talliinn, sem exagero, onde se podem apanhar autocarros para todos os pontos da Turquia e sem hora marcada, eu simplesmente cheguei lá, perguntei em que linhas iam os autocarros para Istambul, levaram-me quase pelo braço até à bilheteira de uma companhia (na Turquia há dezenas de companhias de autocarros, pelo que as estações são tipo centro comercial de companhias, cheias de gente a gritar os seus destinos, muito diferente e interessante). Cinco minutos depois de chegar à estação, já eu estava dentro de um autocarro para Istambul.
Mais cinco ou seis horas e estava de regresso a Istambul, onde tinha deixado o mesmo hotel reservado para a última noite. Para o último dia reservei o indispensável banho turco que, melhor do que explicar, é verem o vídeo do Youtube
a sério, vejam e vão perceber, não dá é para o publicar aqui no blog.
Para o último dia mesmo, voltei às compras ao Grande Bazar e fiquei até bastente tarde pelas ruas e pelo hotel (mesmo não tendo quarto para essa noite), pois eles não se importaram e até me serviram o pequeno-almoço às 3h da manhã, mesmo já não estando ali hospedado e não sendo horas de pequeno-almoço. Fiquei quase sensibilizado. Gostei muito mesmo. O meu voo era às 5:50 da manhã, pelo que fui para o aeroporto de madrugada, à semelhança de muitas outras pessoas, mas foi bom pois dormi o voo todo o acordei já em Frankfurt.
Como tinha seis horas de espera pensei: "Vou aproveitar o tempo e ainda conheço outra cidade!" e assim foi, apesar do sono, meti-me no comboio que liga o aeroporto ao centro da cidade, andei por lá um pouco, pude observar que ali se vive com grande qualidade, pois via-se nas pessoas, nas lojas, e na cidade só por si.
Andei então por ali um pouco, à espera que o museu de arte moderna abrisse (às 10h). Passeei pela cidade, vi o museu, de que gostei bastante, pois tinha artistas internacional que muito me interessam, gostei muito.
Voltei para o aeroporto a tempo para não esperar muito tempo pelo avião e lá voltei para Tallinn, que se mostrou mais quente do que quando a deixei e já sem neve nenhuma.
Agora também estou bastante satisfeito pois este mês que ainda falta vai passar facilmente pois tenho bastantes planos. Vou postando aqui! Mais um mês, sensivelmente e estou de volta!!
Beijinhos e abraços
João

terça-feira, 31 de março de 2009

Os meus desenhos

Olá! Já com a mente em contagem decrescente, decidi vir-vos mostrar esta série de desenhos que tenho andado a fazer e que tem sido o motivo de eu não ter andado a fazer mais coisas, ou pelo menos coisas que mereçam a relevância que o blog lhes dá, ou que eu acho que devem ter para constar nele. Tenho feito muito mais desenhos do que estes, mas estes são os da última série, relativa a cidade de Tallinn. Na verdade, falando de trabalho ou da minha produção, a verdade é que aqui tenho sido pouco produtivo no fazer das mãos, mas muito no fazer do pensamento. Tenho escrito bastante, tenho pensado e, ao fazer estas colagens, também tenho usado o tempo para ouvir boa música e pensar, muito! Vou então com excesso de bagagem mental (ok, execesso não, mas era só pela analogia! :)), pelo que quando voltar, ninguém me vai ver fora das oficinas, agarrado ao barro, à madeira, ao metal, ao gesso, tudo coisas de que sinto falta e me apetece voltar. Mas, este também era um dos objectivos da viagem: reflectir, pensar, crescer ideias em mim. E lá isso realizei! Muitos objectivos caíram ao lado, pois não foi o que estva à espera (o que não significa que foi mau), mas em relação a este, sim, sem dúvida concretizado! Estes desenhos são então em estudo dos diferentes tipos de espaço numa cidade: a laranja as casas e edifícios públicos - espaços construídos para habitar; a verde os espaços ao ar livre - àreas de lazer; e as estradas: espaços de circulação. Tenho também mais desenhos da cidade para mim, isto é: o mapa da cidade que eu conheço e da que me falta conhecer, entre outros. Depois quando fizer a exposição vêem-nos todos! Abreijos João

terça-feira, 24 de março de 2009

Copenhaga 21 e 22/03/2009

Olá! A Pequena Sereia, que é mesmo pequena pois só a vi por acaso! Tenho a dizer que por aqui nada de muito especial se passa. Os meus dias são basicamente passados a desenhar, que não é bem desenhar, pois o que ando a fazer são umas colagens, de grande precisão e paciência. Por vezes canso-me, mas estou a gostar dos resultados. Em breve fotografo um ou dois e mostro, pois estes não são exactamente como os outros brancos. Enfim, está a ser um trabalho diferente que provavelmente só faria estando aqui, tanto pelo facto de estar a trabalhar com mapas, como pelo tempo que aqui posso reservar para estes trabalhos. Bem, mas para além disso, o que venho aqui deixar-vos é o relato da minha viagem a Copenhaga, Dinamarca, que fiz no passado fim-de-semana. Apesar de não ir com "demasiadas" expectativas, não que não quisesse ir lá (obviamente! Se não, não ia, não é?!), esta acabou por se revelar umas das cidades mais interessantes que por estes tempo visitei. Agradou-me o tempo que por lá se sentia, não que estivesse como aí, pois, porque sei que em Portugal estiveram 30 graus, ou algo do género. Na Estónia também 30...ups, tira o zero...3ºC e houve um dia em que acho que chegou aos 4 ou 5. Bem que calor, não imaginam! Copenhaga: Tenho a dizer que uma das coisas que mais me impressionaram nesta bela cidade foi a quantidade de bicicletas. Já as tinha visto também em Estocolmo, mas aqui, não tem comparação, e, também devido à temperatura, havia mais gente a pedalar pelas ruas, mas é tanta gente que quase nem há carros! Houve sítios por onde passei, em que não havia carros a passar na estrada. E adorei ver umas pessoas a sair do teatro, pela porta lateral (se calhar até eram actores famosos dinamarqueses, mas não sei!) e depois, apesar de eu não perceber o que diziam, achei graça aos três, cada um com a sua bicicleta e depois da despedida, cada um na sa direcção, com as malas nos cestos de verga. Adorei! Bem, mas Copenhaga não são só bicicletas (quase, mas enfim!) Copenhaga é Hans Christian Andersen, é a Pequena Sereia, (bicicletas!), Carlsberg, pessoas elegantes, ruas limpas, transportes ultra-modernos e eficientes, pessoas simpáticas, parques por onde apetece passear, canais, casas coloridas, ruas seguras e muito mais! Nihaven, um dos bairros mais pitorescos da cidade
A Bibioteca Nacional, conhecida como Black Diamond
Não vou relatar de facto os dois dias, pois muito da minha viagem foi andar pelas ruas (ando a descobrir este prazer nas viagens, em vez de ser só museus e sítios para ver). Anda-se muito bem por toda a cidade, eu não apanhei um único autocarro! Só o comboio de e para o aeroporto. Fiquei instalado num pequeno hotel perto da zona com mais casas de meninas e achei engraçado pois talvez aquela zona seja a menos segura da cidade (não sei, imagino), mas sentia-me ali como em casa. Acho que se deve ao nível de vida das pessoas, ali ninguém precisa de roubar ou algo do género pois todos parecem viver em grande dignidade, rsponsabilidade cívica e segurança a todos os níveis.
Para o Domingo reservei uma ida a Galeria Nacional da Dinamarca (Statens Museum for Kunst), um museu muito interessante pois alberga arte dinamarquesa e internacional dos mais variados períodos e épocas, de uma forma algo eclética, mas que torna a visita muito, muito interessante, pois não estamos durante muito tempo só a ver paisagens e naturezas-mortas do século XVIII, mas antes, ora um Matisse, ora um Sbrichnny qualquer dinamarquês, ora um Donald Judd, enfim, gostei mesmo muito!
Outra coisa que observei foi a recorrência com que a arquitectura moderna ser liga com a antiga. Este museu e a biblioteca são bons exemplos disso. Achei de grande valor e, apesar serem sempre completamente diferentes, tive sempre uma sensação de relação e não de choque entre ambas. Aqui o design e a arquitectura são da melhor qualidade, isso dá para ver em todos os lados: lojas, jardins, transportes, enfim...
Depois do museu caminhei até ao outro extremo da cidade, a zona ribeirinha do maior canal, uma das zonas de que mais gostei, onde tive tempo de apanhar um pouco de Sol e andar pelas redondezas, enquanto via o que por mim ia passando. Depois disso, e como o tempo já não chegava para tudo, ainda pude ir ao Museu Nacional, onde só tive tempo de ver o andar de baixo, mas, ao que me pareceu, chegou para ver a obra-prima do museu: esta belíssima carroça, da Idade do Bronze, que, apesar de ter à volta de 5000 anos, inspirou vários artistas, como Giacometti, é um dos mais belos exemplares de escultura daquele período e é "masterpiece" no Museu Nacional da Dinamarca. Um dos pontos altos, sem dúvida.
Depois disso, como o tempo já não era muito, segui para o aeroporto, de onde parti em direcção a Tallinn, mas com o pensamento no sentido oposto...
Beijinhos e abraços

terça-feira, 17 de março de 2009

Kodu

Pois é, o CD que vinha com o meu livro de estoniano continua a surpreender-me!

Aqui vai a tradução possível:

A casa da maçã é a macieira,

A casa da pera é a pereira,

A casa da cereja é a cerejeira,

A casa da abelha é a colmeia.

A casa do sorriso não é uma àrvore,

A casa do sorriso é a boca de uma criança.

Não é giro!?

Fiquem bem! Sorriam!

sábado, 14 de março de 2009

Gediminas Akstinas Workshop

Olá!
Antes de mais, gostava de dizer que estou bem, que estou a gostar da minha experi~encia e, como disse, talvez seja uma das coisas mais importantes que já fiz, para a minha formação a todos os níveis e portanto não quero que pensem que não estou a gostar ou que estou triste por causa do último post. O que se passou foi um sentimento algo passageiro mas que também faz parte da experiência!
Bem... durante toda esta semana participei num workshop no departamento de escultura (aquele atrás do Sol posto!). Quem deu o workshop foi o artista lituano Gediminas Akstinas, de cujo trabalho gostei muito, pois estive a procurar na net antes de me inscrever, e pareceu-me bastante interessante e ao meu género, de alguma forma, por isso, abracei a ideia.
Aqui estão as imagens de trabalhos que encontrei na net mas, na verdade, no portfolio estavam trabalhos que talvez até goste masi, mas achei muito bom trabalho
O tema para o workshop foi o auto-retrato. Deveríamos então fazer uma instalação onde constasse o nosso retrato mesmo, isto é, deveríamos ir ao fotógrafo ou fazer em casa um foto tipo as que se tiram para os passes, bué "standardizadas" que poderia ter o tamanho que quiséssemos´(máximo A4). Para a instalação podíamos usar os materiais que quiséssemos e o objectivo do workshop era o de fazermos um auto-retrato, numa semana, a apresentar num sítio específico do ediício.
A húngara Scilla (à esquerda), o nosso tradutor e a chinesa Yang Li. "Gente boa"
Durante a semana andámos então à conversa, o que demorava bastante tempo, tanto por haver muito do que falar, como porque se demorava muito tempo pois, como disse, ele é lituano mas não fala inglês. Então falava russo a um estoniano que traduzia para outro estoniano, que traduzia para inglês! Só por si, isto para mim era uma performance!
No final apresentámos então os trabalhos e tivemos a falar deles.
Para o meu, decidi fazer um auto-retrato da minha situação, isto é, do facto de estar fora de casa, noutro sítio, longe e que para mim tem uma determinada carga. Basicamente é sobre o que estou aqui a fazer (na Estónia) e como relaciono com esta cultura.

Alguns tópicos, pois não quero explicar o que para mim quer dizer, apenas sugerir:

Subir

Vazio

Neve

Branco

Paisagem

Revelação

Estar longe.

Estar fora de casa

Sentir que não estou em casa

Encontro

O meu trabalho (madeira, baldes, neve, banco e papel de arquitecto).

Basicamente acho que também tem haver com o trabalho que tinha exposto no posto dos correios pois é sobre isso que ando aqui a trabalhar, tanto de facto, isto é, estou a desenhar sobre isto e, por outro lado, a pensar e recolher informação para, com ela fazer uns trabalhos que estarão numa exposição individual que pretendo fazer em Portugal pois, para além de não ter tempo para a fazer aqui, no final também teria pena de deixar os trabalhos para trás, por isso, decidi estar mais a pensar e depois, quando voltar, trabalhar no duro, por as mãos na massa!

Houve propostas de que gostei e no fundo, o melhor disto foi ver as linguagens de cada um.

O professor junto do trabalho da Scilla, um dos que gostei mais.

Aqui está o trabalho de uma alemã que vi pela primeira vez, pelo que não me lembro do nome. Confesso que estava com medo de estar ali pois ela põs um secador de cabelo ligado à corrente no meio daquela neve toda!

Partilho então outra experiência!

Até breve

quarta-feira, 11 de março de 2009

11/03/2009

Numa casa portuguesa fica bem

pão e vinho sobre a mesa.

E se à porta humildemente bate alguém,

senta-se à mesa co'a gente.

Fica bem essa franqueza, fica bem,

que o povo nunca a desmente.

A alegria da pobreza

está nesta grande riqueza

de dar, e ficar contente.

Quatro paredes caiadas,

um cheirinho á alecrim,

um cacho de uvas doiradas,

duas rosas num jardim,

um São José de azulejos

Mais o SOL DA PRIMAVERA,

uma promessa de beijos

dois braços à minha espera...

É uma casa portuguesa, com certeza!~

É, com certeza, uma casa portuguesa!

No conforto pobrezinho do meu lar, há fartura de carinho.

A cortina da janela é o luar,

mais o SOL que bate nela...

Basta pouco, poucochinho p'ra alegrar

uma existéncia singela...

É só amor, pão e vinho

e um caldo verde, verdinho

a fumegar na tigela.

Quatro paredes caiadas,

um cheirinho a alecrim,

um cacho de uvas doiradas,

duas rosas num jardim,

um São José de azulejos

Mais o SOL DA PRIMAVERA,

uma promessa de beijos

dois braços à minha espera...

É uma casa portuguesa, com certeza!

É, com certeza, uma casa portuguesa!

Olá!

Tinha o Media Player em Aleatório e apareceu-me, sem esperar esta tão conhecida canção. Decidi então publicá-la, como forma de mostrar muitas das coisas de que sinto falta. Especialmente o "Sol da Primavera" e a hospitalidade e simpatia do nosso país, à beira-mar (e muito bem) plantado. Devo dizer que começo a sentir a falta de alguns pequenos pormenores que fazem toda a diferença na nossa relação com as pessoas e que aqui não se sentem. Certo que são diferenças culturais que é interessante (e importante) observar, mas hoje, mais do que nunca, sinto a falta da simpatia e do calor que nos caracteriza. Por isto é que acho que é e será tão importante para mim vir para um país tão longe e tão diferente: como forma de perceber e dar mais valor a todas as pequenas coisas do dia-a-dia que me fazem falta. E o Sol é definitivamente uma delas!

Se fizerem Erasmus, aconselho vivamente que o façam num país bem longe e bem diferente do nosso, pois começo a chegar à conclusão que não estamos assim tão mal, acreditem.

Estou a apreciar a viagem e a experiência e, se eventualmente este post pode parecer um pouco triste, no sentido em que estou com saudades, o que é facto é que sinto isto como uma das coisas mais importantes por que passei e poucas experiências nos marcam tanto!

Beijinhos e abraços

quarta-feira, 4 de março de 2009

„Jahtumine” 02/03/2009

TERE!
Pois bem, finalmente chegou a data da exposição.
Chama-se „Jahtumine” , que significa arrefecimento ou algo do género, pois seria acerca da crise económica, assunto que eu não considere abordável do ponto de vista artístico, pelo que tentei contornar um pouco o tema.
A performance de um dos meus professores (ao meio)
Fiz então uns desenhos que funcionam como um grupo, onde escrevi palavras relacionadas com o assunto, mas em estoniano, pelo que para mim, não significam nada, estando também estas tapadas por papel, sendo apenas visíveis quando olhadas de muito perto. Por baixo destas, há umas frases em português, que é um pouco o verso da moeda: eu não os percebo e eles não me percebem a mim! Mas são frases que não têm nada javer com o assunto mas antes com a minha forma de estar, aqui que, por vezes para mim, significa estar completamente alheado do Mundo.
Sinceramente, isso não me preocupa. Também não me preocupa. Até tento não saber muito, de propósito.
Os meus desenhos
Houve então outros trabalhos de colegas. Ah, esqueci-me de dizer que a exposição foi (e é) nos correios, por ter estas salas livres e porque o objectivo desta cadeira é fazer exposições em sítios onde normalmnte estas não acontecem, daí os correios...
Outra coisa que me ocorreu com esta exposição foi que é muito fácil expor e aparecer nas notícias...sim, esta simples exposição (não vamos estar com rodeios, é verdade!) Apareceu numa grande página dos jornais e na TV. Eu só apareci em segundo plano...
Vista geral da exposição
Mais uma experiência. Também espero expor mais aqui...
Fica a notícia do jornal e beijos e abraços para todos
Postimaja tühje müügibokse täidab EKA tudengite näitus „Jahtumine”
Eesti kunstiakadeemia üliõpilased ja õppejõud korraldasid eile postimajas näituse „Jahtumine”, kus andsid oma hinnangu praegusele majanduskriisile. Postisaadetiste maht väheneb ja postimajas pesitsenud firmad on uksed kinni pannud — nüüd on vaba näitusepinda küllaga. Ürituse avas maja ees toimunud Jüri Ojaveri performance, kus kunstnik kandis suuri plakateid koos oma loosungitega. Pildil aga toetab Ojaver EKA tudengit Kermo Mäge, kes kommenteerib praegust aega. Näitusel eksponeeritud tööd varieeruvad joonistustest, installatsioonidest ja videotest fotoreportaažideni. Näitusel osalevad lisaks Kermo Mäele ja Jüri Ojaverile Kai Nurga, Tanel Rannala, Anna Aua, Jana Huul, Artur Vincent Kerge, Birgit Skolimovski, Liisa Kruusimägi, Kätlin Belajev, Liisa Soolepp, Toomas Thetloff, Joáo Henrique Rolaça ja Anu Juurak. Väljapanekut saab vaadata 14. märtsini.~
Jornal Eesti Päevaleht, 3 de Março 2009. Foto: Terje Lepp (imaginem o que seria se reparessem que eu não colocava as fontes?! Upa!Upa!)